Thursday, 3 November 2016

Mauricio Cantor: Sociedade e cultura entre cachalotes de Galápagos


Data: 10 de novembro de 2016
Date: November 10th, 2016

Hora: 14h
Time: 2:00 PM

Local (Room): Sala de Defesa, Bloco O, Prédio da Pós graduação, Instituto de Biologia, Unicamp, Campinas, São Paulo, Brasil

Sociedade e cultura entre baleias cachalotes de Galápagos

Utilizando cachalotes como modelo, eu exploro a interação entre sociedade e cultura animal. Cachalotes vivem em sociedades multiníveis, caracterizadas por cooperação e aprendizado social. As fêmeas vivem em unidades sociais quase permanentes e se comunicam usando “codas”, padrões estereotipados de cliques. Unidades agrupam-se temporariamente com outras unidades que utilizam codas similares, formando clãs vocais – baleias da mesma população com dialetos de coda distintos. Especificamente, eu investigo as causas, consequências e estabilidade temporal de clãs de cachalotes simpátricos no Oceano Pacífico. Em um lado desta interação sociedade-cultura, cultura afeta a sociedade dos cachalotes ao criar clãs vocais.Com modelos baseados em agentes que imitam a dinâmica de populações empíricas, eu testei múltiplos mecanismos de transmissão de coda – aprendizado individual, herança genética, aprendizado social puro e enviesado. Clãs com diferentes dialetos surgem apenas quando cachalotes aprendem codas uns com os outros, em conformidade com os indivíduos mais similares ao seu redor. No outro lado da interação, a associação a um clã tem consequências para os indivíduos. Utilizando um conjunto de dados de longo prazo, eu encontrei diferenças nos comportamentos sociais entre clãs: membros de um clã mergulham mais sincronicamente e tem relações mais homogêneas e mais breves que membros de outro clã. Deriva cultural pode explicar tal divergência, com cachalotes replicando normas sociais dentro do clã que pertencem. Finalmente, eu considerei a estabilidade temporal dos clãs estudando cachalotes de Galápagos ao longo de 30 anos. Eu registrei uma completa substituição populacional levando à uma mudança cultural: cachalotes estudados em 2013-2014 não pertencem aos dois clãs que utilizavam a área entre 1985-1995; ao invés disso, eles são membros de clãs encontrados em outras áreas do Pacífico. Concluindo, cultura originou clãs em cachalotes, o que por sua vez determina comportamento social, em uma relação de duas vias que é estável ao longo do tempo, mas dinâmica no espaço. Essas descobertas reforçam a evidência de cultura entre cachalotes, destacando que processos determinando flexibilidade comportamental em humanos – transmissão de informação através de aprendizado social enviesado e deriva cultural – também opera em populações animais não-humanas.


Mauricio Cantor possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 2008), mestrado em Ecologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, 2011) e doutorado em Biologia pela Dalhousie University (Halifax, NS, Canadá). Atualmente é pós-doutorando no Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina e atua como pesquisador dos grupos de pesquisa do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LAMAq, Universidade Federal de Santa Catarina) e Interfaces Humano Não-Humano (INUMA, Universidade Federal de Sergipe). Tem experiência nas áreas de Ecologia de Populações e Comunidades, Biologia Comportamental e Sociobiologia, Comportamento Animal e Análise de Dados Biológicos.


Society and culture among Galápagos sperm whales

Using sperm whales as a model, I explore the interplay between animal society and culture. Sperm whales live in multilevel societies, characterized by cooperation and social learning. Females live in nearly-permanent social units and communicate using codas, stereotyped patterns of clicks. Units temporarily group with other units that use similar codas, forming vocal clans—whales of the same population with distinct coda dialects. Specifically, I investigate the causes, consequences and temporal stability of the sympatric sperm whale clans in the Pacific Ocean. On one side of the society-culture interplay, culture affects sperm whale society by creating the vocal clans. With agent-based models mimicking the dynamics of empirical populations, I tested multiple mechanisms of coda transmission—individual learning, genetic inheritance, pure and biased social learning. Clans with different dialects emerge only when whales learn codas from each other, conforming to the most similar individuals around them. On the other side of the interplay, clan membership has consequences for individual whales. Using a long-term dataset, I found differences in social behaviour among clans: members of one clan dived more synchronously and had more homogeneous, briefer relationships than the other. Cultural drift may explain such divergence, with whales replicating within-clan social norms. Finally, I considered the temporal stability of clans by studying the Galápagos population over 30 years. I documented a complete population turnover leading to cultural shift: sperm whales studied in 2013-2014 do not belong to two clans that used the area between 1985-1995; instead they are members of clans previously found in other areas of the Pacific. In conclusion, culture gave rise to sperm whale clans, which in turn drives social behaviour, in a two-way relationship that is stable over time but dynamic over space. These findings strengthen the evidence for culture among sperm whales, highlighting that processes driving behavioural flexibility in humans—information transmission through biased social learning and cultural drift—also operate in non-human animal populations.  


Mauricio Cantor received his BSc degree in Biology at Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, Brazil) in 2008, MSc degree through the Ecology Graduate Program at Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC, Brazil) in 2011, and a PhD from the Department of Biology, Dalhousie University (Canada) in 2016. Currently he acts as a researcher at the Aquatic Mammals Lab (LAMAq, Universidade Federal de Santa Catarina, Brazil) and The Human Non-human Interface (INUMA, Universidade Federal de Sergipe, Brazil). He has experience on population and community ecology, behavioral ecology, socioecology, animal behavior and biological data analyses.


Monday, 19 September 2016

Ecologia evolutiva de drosofilídeos: adaptações ao clima e evolução de interações ecológicas



Data: 28 de setembro de 2016
Date: September 28th, 2016

Hora: 14:00
Time: 2:00 PM

Local (Room): Sala de Defesa de Tese, Bloco O, Prédio da Pós graduação, Instituto de Biologia, Unicamp, Campinas, São Paulo, Brasil

Ecologia evolutiva de drosofilídeos: adaptações ao clima e evolução de interações ecológicas

Avanços recentes em biologia molecular e genômica trouxeram uma oportunidade inédita de estudar a interface entre processos ecológicos, evolutivos e genéticos para entender em detalhes as adaptações dos organismos. Serão apresentados os resultados de alguns projetos recentes que buscam entender as pressões ecológicas em ambientes naturais que influenciam os padrões de variação no nível genômico e resultam em mudanças adaptativas. Também serão apresentados projetos que abordam adaptações a fatores abióticos do ambiente, bem como adaptações causadas por interações ecológicas. Esses estudos foram feitos com populações naturais do modelo genético Drosophila melanogaster.


Rodrigo Cogni é Professor Doutor no Departamento de Ecologia da Universidade de São Paulo (USP). Sua linha de pesquisa inclui abordagens multidisciplinares usando insetos como principal modelo de estudo, atuando principalmente nos seguintes temas: coevolução, variação geográfica, interações ecológicas, adaptações, seleção natural e variação molecular.

Evolutionary ecology of drosophilids: adaptations to climate and evolution of ecological interactions



Recent advances in molecular biology and genomics gave rise to an unprecedented opportunity to study the interface between ecological, evolutionary and genetic processes in order to understand in detail the adaptations of organisms. The lecture will show the results of recent projects which aim at understading ecological pressures in natural environments which influence variation patterns at the genomic level and result in adaptative changes. Projects which deal with adaptation to abiotic factors, as well as adaptations caused by ecological interactions will also be showed. These studies were made using natural populations of the genetic model Drosophila melanogaster.


Rodrigo Cogni is a professor at the Ecology Department of Universidade de São Paulo (USP). His research includes the use of multidisciplinary  approaches using insects as main study models, and his main research interests are: coevolution, geographical variation, ecological interactions, adaptations, natural selection and molecular variation.

Monday, 5 September 2016

Germán Villanueva Bonilla: Dinâmica populacional e fenologia da aranha-das-frestas Selenops cocheleti Simon, 1880 (Araneae: Selenopidae) no sudeste do Brasil



Data: 12 de setembro de 2016
Date: September 12nd, 2016

Hora: 14h
Time: 2:00 PM

Local (Room): Sala de Defesa, Bloco O, Prédio da Pós graduação, Instituto de Biologia, Unicamp, Campinas, São Paulo, Brasil

Dinâmica populacional e fenologia da aranha-das-frestas Selenops cocheleti Simon, 1880 (Araneae: Selenopidae) no sudeste do Brasil

Informações de história de vida sobre espécies de aranhas pertencentes à família Selenopidae permanecem escassas devido a seus hábitos noturnos, capacidade de se esconder em fendas de difícil acesso, e seus rápidos movimentos. Durante um período de dois anos (2013-2015), foi estudada a flutuação populacional, fenologia e dieta de Selenops cocheleti (Araneae, Selenopidae) que habita troncos de Plinia cauliflora (Myrtaceae) e Pinus elliottii (Pinaceae) na Serra do Japi, sudeste do Brasil. Foram estimadas as mudanças mensais no tamanho da população de S. cocheleti em relação às variáveis climáticas e disponibilidade de presas. A abundância de aranhas aumentou no início do verão, atingindo o pico em maio (Outono). Todas as classes de idade estiveram presentes durante todo o período de estudo, com pouca variação no número médio de aranhas por mês. No entanto, enquanto as fêmeas adultas estiveram presentes durante todo o ano, os machos adultos só estiveram presentes durante o verão. O pico de machos adultos indica o período reprodutivo; assim, a população de estudo exibe um padrão de estenocrônico de verão. A longevidade de fêmeas adultas (2-6 meses) e sua capacidade de armazenar esperma por longos períodos de tempo (pelo menos de quatro meses) permitem-lhes continuamente gerar ovissacos durante todo o ano, resultando no recrutamento permanente dos indivíduos. As características da biologia reprodutiva de fêmeas de S. cocheleti parecem regular a estrutura etária da população. Variáveis climáticas foram positivamente relacionadas com densidade de S. cocheleti. Em contraste, a disponibilidade de presas não se correlacionou com abundância das aranhas. Disponibilidade de presas e variáveis climáticas foram negativamente relacionadas. Em conclusão, este estudo fornece novas percepções sobre a história de vida de S. cocheleti e os vários fatores que influenciam a abundância da população das classes de diferentes idades e sexos adultos.

Germán Villanueva Bonilla possui graduação em Licenciatura em Biologia - Universidade Distrital Francisco Jose de Caldas, Colômbia (2011) e Mestrado em Biologia Animal na área de concentração em Biodiversidade Animal na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente é doutorando em Biologia Animal na UNICAMP. Tem experiência na área de ecologia teórica atuando principalmente nas seguintes áreas: Diversidade da araneofauna orbicular, Ecologia Populacional em aranhas e Ecologia das associações planta-aranha. Trabalha também com interação entre vespas parasitoides e predadoras de ovos (Hymenoptera, Ichneumonidae) com aranhas tecedoras e não tecedoras.

Population dynamics and phenology of Selenops cocheleti Simon, 1880 (Araneae: Selenopidae) in Southeastern Brazil



Life history information on spider species of the Selenopidae family remain scarce due to their nocturnal habitats, enhanced capacity of hiding and rapid movement. During a period of two years, we studied populational fluctuations, phenology and diet of Selenops cocheleti (Araneae, Selenopidae), which inhabits trunks of Plinia cauliflora (Myrtaceae) and Pins elliotii (Pinaceae) in Serra do Japi, southeast Brazil. We estimated monthly changes in population sizes of S. cocheleti in relation to climate variables and prey availability. Spider abundance increased in the beginning of summer, reaching its peak in may (Autumn). All age classes were present during the study period, with low variation in the mean number of spiders per month. However, while adult females were presente during the whole year, male adults were only presente during summer. Male peak indicates the reproductive period; so, the population of study exhibits a stenochronic pattern in summer. Adult female longevity (2-6 months) and their capacity of stocking sperm for long periods of time (at least four months) allow them to continually generate ovisacs during the whole years, resulting in permanente recruitment. The characteristics of female S. cocheleti reproductive biology seem to regulate population age structure. Climate variables were positively related to S. cocheleti density. In contrast, prey availability was not correlated to spider abundance. Prey availability and climate variables were negatively correlated. In conclusion, this study provides new percepetions on the life history of S. cocheleti and the various factors which influence the abundance of diferente ages and sexes in their populations.


Germán Villanueva Bonilla is graduated in Biology by the Universidade Distrital Francisco Jose de Caldas, Colombia (2011) and has a Master’s Degree in Animal Biology by the Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). He is currently a PhD candidate in Animal Biology by the Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Germán has experience in theoretical ecology, and his main research lines are: spider diversity, spider population ecology and plant-spider association. He also works with the interaction between parasitoid wasps and egg predators (Hymenoptera, Ichneumonidae) with taylor and non-taylor spiders.